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Médicos do tráfego alertam para o aumento dos sinistros devido ao uso do celular ao dirigir

 Você sabia que quando um motorista digita uma mensagem de texto enquanto conduz um veículo à 80 km/h equivale a dirigir com os olhos vendados por um percurso de até 100 metros?

Essa é uma das conclusões da diretriz Riscos do uso do telefone celular na condução de veículos automotores, lançado neste mês de julho pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego – Abramet, que traz um panorama atualizado sobre a chamada Falha de Atenção ao Conduzir (FAC), qualificação técnica para o desvio da atenção do motorista que, entre outros fatores, inclui o uso do telefone.

De acordo com o levantamento, digitar uma mensagem de texto enquanto dirige desvia a atenção do motorista por um percurso das dimensões de um campo de futebol oficial.

“O ato de digitar uma mensagem de texto, faz com que o veículo seja conduzido por diversos metros sem o olhar atento do condutor que chega a ficar, em média, 4,5 segundos sem prestar atenção na via e, dependendo da velocidade, poderá percorrer até 100 metros absolutamente desatento, tempo e distâncias suficientes para atropelar pedestres, ciclistas e colidir com outros veículos”, esclarecem os especialistas.

A Diretriz
Desenvolvida com o objetivo de avaliar os riscos da condução veicular falando ou escrevendo ao celular para propor medidas que reduzam os sinistros de trânsito provocados pela utilização simultânea desses dispositivos, a diretriz destinada ao médico do tráfego compila dados e conclusões de estudos nacionais e internacionais que interessam a toda a comunidade médica, ao poder público e à sociedade em geral.

Atualmente o Brasil acumula uma frota superior a 100 milhões de veículos e mais de 238,5 milhões de aparelhos de telefone celular ativos.

Flavio Emir Adura, diretor científico da Abramet, responsável por liderar o grupo de especialistas que estudou o assunto, reforça que os graves riscos da combinação de dirigir e usar celular ganharam relevância para as ações de preservação da vida no trânsito e acenderam um sinal de alerta na Abramet.

“Celular e direção não combinam de jeito nenhum e esses sinistros podem, e devem, ser evitados. É preciso maior conscientização do condutor sobre isso, ter clareza de que ao usar o telefone enquanto dirige está colocando sua vida e dos demais usuários do trânsito em alto risco”, opina.

Neste sentido, Antônio Meira Júnior, presidente da Abramet, enfatiza. “Estamos focados na produção científica, para atualizar procedimentos e fortalecer as ferramentas à disposição do médico especialista. Bem como, no compromisso de buscar evidências científicas que possam servir de base para o ordenamento legal brasileiro”.

Falha de atenção ao dirigir
Pesquisas mapeadas na diretriz apresentada pela entidade indicam que cerca de um terço dos motoristas dirigem distraídos, interagindo com os outros ocupantes do veículo, conversando no telefone celular ou enviando mensagens de texto, entre outros fatores de desatenção, sendo o telefone celular o responsável por quase 50% das atividades que resultam em Falha de Atenção ao Conduzir.

Os condutores que mais se distraem ao volante usando o telefone celular são os com idades entre 20 a 29 anos (35%). Seguidos dos motoristas com 30 a 39 anos (22%) e, por fim, os com faixa etária entre 40 e 49 anos (15%).

As mulheres, em comparação com os homens, ao dirigirem distraídas são mais propensas a se envolver em sinistros de trânsito, também identificou a pesquisa.

Outros danos
O uso do celular ao volante provoca ainda distúrbios operacionais, com impacto sobre a mobilidade e o campo visual do motorista. Assim como psicológicos e cognitivos com impacto significativo sobre a condução veicular.

Motoristas distraídos pelas conversas telefônicas reagem de forma insegura. Além disso, reduzem a velocidade inesperadamente, têm dificuldade em manter o posicionamento na via e com tempo de reação para frenagem aumentado. Esses exemplos são citados pelos médicos do tráfego.

Eles explicam, ainda, que uma conversa no telefone celular mantém atividade mental direcionada à chamada mesmo após o término da ligação. Isso quer dizer que permanece o risco de sinistro de trânsito em média de três segundos após o envio de uma mensagem de texto.

Segundo o estudo, se o veículo estiver em velocidade média de 100km/h, percorrerá mais de 90 metros sob o efeito pós chamada.

Prerrogativas da Diretriz
A Abramet preparou uma diretriz que sinaliza medidas para que médicos, autoridades e sociedade geral adotem no intuito de reverter esse cenário. Além disso, estimular uma nova conduta por parte dos motoristas e motociclistas. Entre elas está a adoção de iniciativas educacionais combinadas com medidas de conscientização. Nesse sentido, o resultado esperado é o declínio do número de motoristas que enviam mensagens de texto.

O documento propõem medidas de incentivo à criação de novos aplicativos e configurações do smartphone. Por exemplo, o “Modo Driver”, semelhante à “Modo Avião”, tentando restringir o uso do telefone celular enquanto o veículo está em movimento. Também traz orientações aos condutores a bloquearem o uso do celular ao dirigir. São medidas simples e eficazes na redução da frequência de ligação e envio de mensagens.

De acordo com o levantamento, não há nada que se possa fazer para diminuir o efeito perturbador que uma simples conversa telefônica exerce sobre os efeitos perceptivos do motorista. Por isso, os especialistas afirmam que, nem mesmo os sistemas integrados de comunicação como viva-voz, bluetooth, microfones e alto-falantes, embora possibilitem aos motoristas manter as duas mãos no volante, não são substancialmente mais seguros. Uma vez que uso do celular na direção traz substancial risco ao desempenho seguro do condutor, independente do modo da sua utilização.

FONTE: Portal do Trânsito

30 de julho de 2021

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